Na primeira metade de 2011, defendi em meu blog o ex-presidente Zezé Perrella, focado nos títulos conseguidos em sua gestão, que antes de sua ascenção à presidência do Cruzeiro, eram muito raros. Terrível engano, o homem fez a China Azul passar os últimos meses nos píncaros de stress e pânico.
Cruzeirense nenhum jamais esquecerá a semana anterior ao Clássico dos 6 X 1. Cada coração azul viveu, as peculiaridades de seu inferno astral particular, sentiu o peso do sorriso de escárnio nos lábios atleticanos.
Passado o pesadelo, e ainda curtindo a bonança pós tormenta, da presumível segundona, relato "flashes" de memórias de alguns acontecimentos da semana pré-clássico, semana do quase "apocalípse celeste", ainda recocheteando na minha memória.
Flash 1- Já no Sábado 26 de novembro, uma semana antes do "Clássico do Milênio", na festa de casamento do meu amigo Xandal, (atleticano, mas após o rebaixamento de seu time,em 2005, virou casaca para as cores do time de seu novo ídolo, o goleiro Rogério Ceni), no momento de intervalo da banda, ouço o grito de "galo", ao meio dos convivas. Um senhor quarentão, autor do grito, fazia gestos nervosos, teatrais, "porno-bizarros", expressando através deles, sua vontade e certeza, "mãe Dinalesca", que o Atlético mandaria o Cruzeiro para a segunda divisão do Brasileirão.
Flash 2 -Segunda-feira, 28 de novembro. Jornalistas atleticanos, exaltados, (um jornal da capital promoveu, em seu caderno de esportes, uma contagem regressiva para o "dia do juízo final celeste", eu abria o jornal e me deparava na primeira página, impresso, parecendo as letras do placar eletrônico do Mineirão: "Faltam 2 dias"...). Camisas preto e brancas começaram a aparecer nas ruas, super-mercados, elevadores (imaginem, senhoras e senhores cruzeirenses, se o elevador trava... eu preso junto a uma camisa adversária, e claustrofóbico, ainda por cima...)
Flash 3 - Quarta feira, 30/11, eu e o Fred Machado ouvíamos, à noite, um famoso programa esportivo diário, onde o apresentador de uma rádio também da capital, entrevistava 2 jogadores : Bernard e Felipe Soutto. Em tal entrevista, em tom fúnebre para os lados da Toca, os dois jogadores atleticanos, provocados pelo entrevistador, discorriam sobre o provável bicho que ganhariam para rebaixar o Cruzeiro, os dois jogadores tentavam fugir do assédio inquiridor do funcionário da rádio, que por sua vez, insistia em números. No calor da entrevista, era como se o destino Celeste estivesse nas mãos dos Deuses atleticanos, Kalil e seus jogadores, os préprios "Senhores dos Anéis", ( por citar tal filme, o atual time atleticano lembra muito os personagens Robbits, os "bolseiros", devido a baixa estatura: Danilinho, Guilherme, Escudeiro, Bernard, Mancine, Pierre e outros).
Quando o referido programa terminou, eu disse ao Fred: "O Cruzeiro vai ganhar Domingo". Era mais uma dose do "doping psicológico" oferecido na bandeja de prata, aos jogadores cruzeirenses.
Flash 4 - Sexta Feira, 01/12, logo cedo tive notícias que o amigo Fred Machado acordara de madrugada com dores no braço esquerdo, ele, em seguida, ao se encaminhar ao hospital mais próximo, foi diagnosticado com stress nervoso.
Mais a tarde, tive a infelicidade de me deparar com o tal torcedor do Atlético, aquele da festa de casamento lembram? Ele vestia uma camisa preto e branca, todo sorridente e pimpão, conversando com amigos e ainda gesticulando muito. Adivinhem qual era o tema da conversa? Pois é, camaradas cruzeirenses, parecia que o mundo era preto e branco.
Flash 5 - Sábado, 03/12, leio no mesmo jornal do mencionado "placar eletrônico", na coluna de um colunista apaixonado pelo Atlético, onde a preocupação primeira do referido colunista, era tentar "pisar" nos cruzeirenses e na entidade Cruzeiro, em segundo plano, falar de futebol e de seu clube. Ao final de seu texto ufanista, ele descrevia, ou tentava descrever, como seria a decretação do rebaixamento Azul, e por hipótese, narrava detalhes, sonhando com um gol de Diego Tardelli, se esse ainda jogasse pelo seu clube mineiro.
Flash 6 - Domingo 04/12, abro o jornal e lá estava as mesmas letras berrantes do placar eletrônico jornalístico: É HOJE: O CLÁSSICO DO MILÊNIO! Apesar da confiança da vitória e da permanência na primeira divisão, o coração estava disparado, a mil. Me restava apenas um mísero comprimido de calmante, pois esgotei a caixa durante as duas últimas semanas, assim, eu tinha de administrar o horário em que iria tomá-lo.
Saí de casa, pela manhã, e encontrei-me, por acaso, com o Kacau, cruzeirense arretado, ele estava na outra calçada e gritou em direção a mim, com a mão direita, batendo no lado esquerdo do peito, e puxando a camisa: "EU não vou aguentar o rebaixamento, não vou...". Continuei minha caminhada e ao dobrar a esquina me deparo com buzinaço atleticano. Dei meia volta e fui direto pegar a caixa do remedinho milagroso... só restava rezar e esperar. Cheguei a pensar uma promessa: a de nuca mais zoar amigos atleticanos, mas desisti, na impossibilidade fatal de não conseguir cumpri-la.
O resultado, todos sabemos: alívio, alegria no universo azul e a merecida comemoração.
Ao dito jornal, com sua contagem regressiva, e ao referido colunista atleticano, um recado: "O Cruzeiro jamais perderia o "Clássico do Milênio", nunca... mesmo se Atlético tivesse entrado em campo com a camisa do Borússia, com Diego Tardelli, o Verón, o Riquelme, ou até mesmo, correndo pela ponta esquerda, com a bandeira preto e branca na mão, aquele inocente queniano que ganhou a São Silvestre, anos atrás."
Ufa!!
Doutor Gilvan, livrai-nos da possibilidade de uma nova contagem regressiva!